quarta-feira, 5 de novembro de 2008


gosto de sangue
quente arranha a garganta.
nossos dias escorrendo pelo nariz
e o amargo na boca, pois eu
gosto de sangue.

então continuo a abrir as mesmas feridas, corto
teu sorriso em mil pedaços, feito navalha perdida,
cortante e sem cabo, na mão de macacos desassisados.

nado na contra-mão na mesma piscina circular
onde cascatas mentirosas duas vezes milenares
insistem em pintar minha água de vermelho
feito vinho tão sagrado quanto a cruz e o rubro
gosto de sangue

me afogo, afundo feito inútil peso de papel na casinha alugada
do final da avenida; dou final a minha vida, decreto fim do carnaval,
de toda folia; afundo, afogo, submirjo, desabo e inalo estas cinzas.

gosto de sangue
gosto de sangrar
de sentir pulso, de desidratar hemácias,
do vício, da luxúria e, sobretudo, do úmido
gosto de sangue