
Fruto de toda a decepção eu sou.
Coleciono feridas purulentas, pútridas;
Chagas dos dias de sol supralunar.
Úlceras doloridas, marcas escondidas
na falsa esperança, em toda utopia.
Outrora destemido pecador, fui queimado.
Morri tantas vezes que os obituários
cansaram de me enterrar em seus anúncios.
Meu escudo, meu coração se quebrou;
Cavaleiro vencido em prisão eu sou
Dragão ferido eu sou.
A fera, o inimigo, o tirano traído.
A bastilha tomada por vermes
que a devoram com violência, porém lentamente
cravada em sua carne, rasgada por seus dentes.
Sou agora o que sobrou dos dias de sol
que parecem nunca mais voltar.
Sou aquilo que sempre neguei e tentei matar,
O resto de meus ideais.
Tudo o que foi vencido e já não aguenta se levantar.
Sozinho estou, Ferido me encontro.
