segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Saudade



O desatino que urge ao peito,
que quer me fazer querer,
que aflige, que distende-se lento,
não se encontra nos dicionários
de nenhuma outra língua - Senão a nossa

A língua do ósculo,
falada com a boca selada,
feita de memória, de ensejos
de corpos entrelaçados.
De todo desejo.

Esse sentimento
que me explora a alma,
aflita por teu semblante fugaz
e em infinito desespero
de quem desconstrói teu altar.

Vem da tua (da nossa) maldita língua
que em algum canto já jaz esquecida
essa fome de quem renuncia a despedida
e se afoga em nostalgia
covardemente.