terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Triste fim do parasita de memórias



Desperto da minha vigília de quatro dias
com os ombros exaustos e os olhos bem vivos
por terem (re)vividos tantos anos sem sentido
em noventa e seis horas, onde não fui visto
sem estar com tua fotografia em mãos
e a mente em teu sorriso.

Entorpeço apenas para poder
ser açoitado pelos meus devaneios,
que insistem em fazer de ti minha ruína;
Pois se existe sonho, se há desejo em vida,
tudo se concretiza na efémera expectativa
de não mais isolar-me, viandante em meus passados.


Despertei, enfim, minha fúria.
Naufraguei em meu próprio pranto
feito do mesmo sangue e cal branco
que nossa carne viciosa e pútrida,
Corrupta, qual o ópio em que me alieno
em memórias de nossos corpos em transe.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

À espera da disforia



Exausto espero o dragão chegar
-monstro do meu conto de fadas
particular, que protejo do meu
castelo de areia que fiz aqui
mesmo, na privada.

e traguei.
fui tragado
pela poeira
estelar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Saudade



O desatino que urge ao peito,
que quer me fazer querer,
que aflige, que distende-se lento,
não se encontra nos dicionários
de nenhuma outra língua - Senão a nossa

A língua do ósculo,
falada com a boca selada,
feita de memória, de ensejos
de corpos entrelaçados.
De todo desejo.

Esse sentimento
que me explora a alma,
aflita por teu semblante fugaz
e em infinito desespero
de quem desconstrói teu altar.

Vem da tua (da nossa) maldita língua
que em algum canto já jaz esquecida
essa fome de quem renuncia a despedida
e se afoga em nostalgia
covardemente.