
Desperto da minha vigília de quatro dias
com os ombros exaustos e os olhos bem vivos
por terem (re)vividos tantos anos sem sentido
em noventa e seis horas, onde não fui visto
sem estar com tua fotografia em mãos
e a mente em teu sorriso.
Entorpeço apenas para poder
ser açoitado pelos meus devaneios,
que insistem em fazer de ti minha ruína;
Pois se existe sonho, se há desejo em vida,
tudo se concretiza na efémera expectativa
de não mais isolar-me, viandante em meus passados.
Despertei, enfim, minha fúria.
Naufraguei em meu próprio pranto
feito do mesmo sangue e cal branco
que nossa carne viciosa e pútrida,
Corrupta, qual o ópio em que me alieno
em memórias de nossos corpos em transe.
