sexta-feira, 16 de julho de 2010

O eterno intervalo de Odisseu (para uma letrista bem sucedida em clássicos)




Longe...
Eu de mim mesmo.
"Porque eu sonho, eu não sou" , diz ele, que está
Longe também, como Itália
E a nossa fuga para o nada
Ao som de teu sorriso piano

Longe, muito
Como o infinito frio
Do universo que não compreende,
Do mundo surdo que não se estende
E da podridão aflita de meu desânimo
Desesperado e cansado de estar sempre

Longe...circunavegando
Pelos distantes mares
Destes mesmos erros

"Eu já viajei tanto, meu bem"
Eu não. E se você soubesse?
Para mim o planalto não é tão remoto
Que minhas esperanças longínquas perdidas
De tentar fugir de meu quarto sem janelas expressivas
Como a dos olhos do teu apartamento...tão longe

Que nem mesmo sei o tamanho do seu mundo
Mas sei o da ausência. Sei também a longitude
Dos burros oceanos que singro para reduntantemente
Soçobrar nas mesmas dunas de areia branca ao anoitecer.
Tanto esforço para nada...minha nau de velas rasgadas naufraga
E meu diário de bordo já somam tantas frustrações que mesmo longe

De lugar nenhum
Já cansei de cravar no peito
As letras destes mesmos erros