
Em algum lugar das terras brandas, ou no país da delicadeza reencontrada]
Onde os nossos sonhos se encontram e o tempo não existe,
A vinha efêmera já começa a apodrecer nas memórias da janela
Do quarto de livros que chora sua ausência.
Você vem dançando pelo aquário, roubando almas
Com suas lentes.
Você vem com sede nos lábios, radiantemente refletida
Em meus olhos fulvos.
Você devora morangos mofados, ao lado do ipê amarelo,
Ancorada em minhas pernas.
Você vem e me faz teu escravo, eterno cativo da libido
E da neve de seus seios.
Sou um marujo, de corpo esquálido;
Navegante de fontes sujas e copos descartáveis.
Sou um farsante, te peço um cigarro
Para deixar claro que o meu desejo é fogo.
Sou um passageiro, viajante sem passado,
Caronista parasita de memórias
Sou um garoto que dorme em seus braços
Para não mais acordar perdido.
Você ri, você mente também
Eu te conto os meus segredos de polichinelo
Você chora, você morre também
Eu salto da janela na esperança de seguir sua estrela.





