terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os donos da Terra do Nunca



ao som da euforia
da renúncia á modorra
saímos de nossas cavernas
surgimos de nossos esconderijos
do esgoto, da margem, do lixo
e voamos

nascemos quando somos esquecidos
somos espertos demais
para deixar de cair de nossos berços

renunciamos a obediência e o crescer
somos as crianças sensíveis do mundo
os garotos perdidos, os garotos eternos
gostamos de ser e gostamos que seja
gostamos do gosto louco da mocidade:
a frequência

segunda-feira, 6 de outubro de 2008


Sou do céu o caminho. Sou da terra a virtude.

Fruto do adultério, nasci embriagado pela Loucura, filha de Plutão e inimiga de Minerva, a sabedoria.
Viajei por todas as terras, devorando gigantes e fazendo da ignorância, da preguiça e da irreflexão, a nova ordem.
Do meu fogo veio a máscara, do meu troféu a alienação, cujo brinde pôde ser ouvido por todo o Olimpo.

Eu sou Dioníso.
Eu sou irresponsável, amoral e superior ao racional.

Eu crio meus próprios valores morais, não sou limitado pelos valores racionais de sociedade nenhuma e tampouco sou escravizado pelos dogmas de nenhuma instituição.
Eu não sigo a razão nem a tragédia, não sou certo nem errado.

Eu sou a desordem, a alma vadia daqueles que ousaram ser livres.
Eu sou a desordem, o olhar penetrante que ousa seduzir tua moral.
Hoje e sempre.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008


Se é a noite que me consome
quando todo azul torna-se negro
Se na lua o dragão já dorme
quando tão logo tu se foi, e a noite veio

É na luz que surge ao peito
esta febre faminta.

Se é em todo seu pecado, de toda sua sombra, de teus rastros,
que este verme parasita
Se é de todo mal e todo desejo,
que no espelho encontro o inimigo

Se nas trevas sou teu vampiro
de teu calor não me alimento

Se é quando a última criança dorme
que em minhas veias corre teu veneno,
é cego que me rendo ao teu calor ímpar
e de olhos vendados que o diabo sorri.

Em dias tão frios, e de solidão sem fim
Meu demônio celebra a vida