sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Eu ou o Moderno Prometeu, Parte Três: A caminhada rumo ao extremo norte







e hoje vejo você morrer para matar
tudo que construí em você, o lugar
em que tantas vezes me deitei e te fiz minha deusa


quando hoje escuto o som das ruas a me dizer que não mais se deixa levar pela urgência,
que não andas mais nos intervalos da calçada,
que se esconde atrás de mentirosas barricadas
que declara amigo aqueles que costumávamos vomitar,
que renega os tempos de rua e de restos e de sons,
tudo tão errado e sujo como costumávamos cantar
quando não mais te encontro singular


quando hoje te vejo, não mais te reconheço





...e sinto um enorme pesar por não mais te desejar

Eu ou o Moderno Prometeu, Parte Dois: Sobre o segredo do fogo


paro, penso, procuro
onde, quando foi que você disse
adeus a esses teu mundo
que apesar de sujo, tão vulgar,
ainda deveria ser teu lugar

será prepotência, então?
te chamar de minha, por direitos autorais?
se não te inventei,
será inocência, então?
vai ver fosse sempre quem tu és
e inventei o que nunca existiu


Eu ou o Moderno Prometeu, Parte Um: O nascimento de Venus (in furs)


cortando esses meses de silêncio:
posso ainda me orgulhar?
pois fui eu quem te criei te encontrei, naquele bar

te enchi de contos sobre a vida
te rasguei, te fiz cantar

mostrei como criar e curar feridas
te levantei, te fiz chorar

te levei ao céu e te ensinei a voar
te montei até te invejar

mas não inventei direito: pequena peça com defeito