terça-feira, 17 de agosto de 2010

M'aidez radiotelefônico em frequência sem sinal




Se esta vida ingrata
Já não me oferece nada
O que então hei de fazer?

Com a vista enevoada
Destas vivências desgraçadas
Eu então hei de esquecer

Que deveria é superar abismos
Mas sempre acabo em precipícios
Para por fim perecer

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A derrota de Holden Caulfield



"Hoje eu vou morrer como luz de estrela,
aos poucos, pra ver desaparecendo
todos discursos em que me agarrei,
cada planeta em que dancei,
pois irmão, já me fui há tempos."





Sabe, já nem sei mais há quanto tempo estou aqui.
Eu nunca fui nada; Cuspiram na minha cara
E já nem tenho para onde fugir.

Eles me cortaram em pedaços
Destruiram meus sonhos
Arrancaram de minha boca o sorriso

E quem vai celebrar essa farsa?
Quem vai limpar o quarto de Gregor
Agora que todos choram sua metamorfose?

"Você não presta
Você é lixo
Você é nada"

E hoje descobri que até insetos choram
E que mesmo o que não existe ainda espera
Sentado, a porta se abrir.

Pai, porque me abandonastes?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Paixão em trinta e cinco milímetros



Tento ajustar o fotômetro.

Aos redores do relógio,
Em uma segunda feira, como um sopro,
Persigo pássaros
Para finjir não seguir seu corpo mouro
que vêm e se deita em minhas pernas,
Se entrelaçando por entre as folhas.
Se apossa do meu mundo cor-de-sol
Que assim faz tanta sombra

Tento ajustar o foco.

"Dream a little dream of me"
Você sussurra ao meu lado.
Eu deixo de lado o francês.
Avanço o filme por amor ao fado.